O Lugar que ocupamos no discurso da famlia

Antes de nós, a palavra.  Este texto  busca através da ótica da psicanálise pensar na inserção do sujeito no núcleo familiar e na comunidade humana. O que acontece é que antes do nascimento (às vezes muito antes mesmo  da concepção) o sujeito de alguma forma ocupa um lugar no discurso do Outro (mãe, pai, avós, tios...).  Em outras palavras, em algum momento antes mesmo de nosso nascimento, aqueles que esperavam nossa chegada fizeram planos, criaram fantasias, pensaram em um significado para nosso nome, por vezes fomos  amados e queridos, por vezes rejeitados, visto como um empecilho, um fracasso certo, etc.

Enfim, de alguma forma um espaço vai sendo criado antes mesmo do nascimento do sujeito, um espaço composto de expectativa, frustrações e todo tipo de sentimento, por aqueles que estão próximos ao bebê. Antes de nascer o sujeito é um conjunto de significantes, uma idéia de seus familiares e de certa forma na comunidade humana em que se desenvolverá.

O interessante desta história é que o sujeito é passivo em relação ao lugar que ocupa no discurso do Outro, e lidar com este lugar após seu nascimento será um dos seus maiores desafios. Não importa se aceitando, aceitando parcialmente ou rejeitando tal lugar.

Mas as coisas se complicam um pouco mais após seu nascimento, pois este lugar vai sendo aos poucos transmitido pelos familiares e pela comunidade humana, porém essa transmissão sofre todo tipo de interferência, desta forma a criança irá ocupar um lugar suposto. Explico-me melhor, a mensagem deste lugar que a criança ocupa no discurso dos pais, tios, avós, etc, chegara de forma truncada a criança, cabendo a ela  dar um sentido a essa mensagem, supondo o significado dessa mensagem, supondo as expectativas daqueles que a cerca e decidindo (muitas vezes inconscientemente) se aceita ou não tal lugar.

Isso acontece porque nos comunicamos através da linguagem, e a linguagem sempre falha já que ela não é capaz de representar algo em toda sua totalidade, e se a linguagem falha, a comunicação falha. Isso quer dizer que ao nos comunicarmos, supomos que seremos entendidos pelo outro e que quando o outro se comunica conosco supomos o que ele quer dizer.

Então, não pensem que esse lugar deixara um dia de ser suposto, o discurso do Outro sempre será entendido de forma suposta por nós, cada um de sua maneira entenderá o significado do discurso do Outro. A essa altura fica fácil presumir que desde antes do nosso nascimento e durante toda nossa vida estaremos sujeitos a inúmeros mal entendidos.

Um dos trabalhos do analista é de ajudar a decifrar não o discurso do Outro (esse seria impossível) e sim do sentido que damos ao discurso do Outro e suas consequências na forma como lidamos com aqueles com quem nos relacionamos.

por Arthur Alexander Abrahão

psicólogo-psicanalista

013 30219390 - 013 97147141

www.arthurpsicanalista.com.br

[email protected]