Terapia ou conversa fiada

Terapia ou conversa fiada?

Há algumas semanas, ao receber em meu consultório uma nova paciente, vinda por indicação de seu médico pessoal, ouvi da mesma, em tom irritado, que lhe parecia absurda a idéia de ter que pagar alguém para ouvi-la. Continuando em sua indignação parecia tentar se convencer de que qualquer amigo(a) poderia escuta-la e , de graça...

Isto é fato! Amigos, como se costuma dizer, também são para essas coisas. Ouvir, dar conselhos, opiniões ou palpites, enfim, em nome da amizade, costumam participar, de acordo com sua própria visão, nos fatos relatados. Amigos estão lá para dar apoio, “segurar a onda”, brigar com quem brigou com seu amigo, defende-lo, lutar junto, sofrer junto, rir junto, qualquer que seja a causa.

Outras vezes, o amigo não concorda com o que está ouvindo e ao expressar sua opinião, acaba por magoar o outro...e não raras vezes, também magoa-se com o que ouviu....

O amigo está diretamente envolvido com as questões daquele que lhe procura. Sua escuta, ainda que bem intencionada, é permeada por seu afeto em relação ao outro. Em geral, o amigo-ouvinte está tão contaminado pelos fatos, quanto o outro, e sendo assim, julga, contra ou a favor, posiciona-se, influencia, toma partido....

Bem, e você deve estar se perguntando: mas, e o terapeuta (ou psicoterapeuta), não faz a mesma coisa?

Não! Pelo menos, não deveria...

A escuta proporcionada pelo terapeuta pretende-se neutra, sem tendências e afetações particulares. O terapeuta, ao escutar, não o faz para exercer um julgamento pessoal! Não está lá para dizer a seu cliente o que é certo ou o que é errado... No ambiente terapêutico não existe isso... existe sim, a tentativa de compreensão do que é bom ou ruim para aquela pessoa. Existe ainda a co-apreensão dos sentimentos presentes naquela fala , e qual o sentido que aquilo que está sendo dito faz para aquela pessoa.

O psicoterapeuta, logicamente também está lá para contribuir com o fortalecimento e oferecer acolhimento ao seu paciente, longe de pretender presenteá-lo com respostas prontas e soluções mágicas.

Na terapia, os caminhos são construídos junto, paciente e terapeuta. O caminho é único para aquele paciente, naquele momento de vida, a partir de seus recursos pessoais, respeitando-se sua individualidade, suas buscas, suas verdadeiras necessidades, quaisquer que sejam elas, sem certo, sem errado...

O terapeuta é um profissional preparado e sua escuta treinada. Sua familiaridade com técnicas adequadas, fazem da terapia, um momento único, através do qual aquele paciente procura encontrar-se consigo mesmo.

Por isso, prudente seria considerar que não se deve trocar jamais um bom amigo por um terapeuta, ou vice-versa.Cada um deles, entra em nossas vidas para preencher uma demanda específica, ocupando o espaço que lhes é cabido.

 

Maria Juliana Carpentieri é psicóloga clinica, pós-graduada em terapia sistemica familiar, e atende em consultório particular, na cidade de Santos.

Contato: (13) 99104-6470 ou pelo Whatsup (13) 99193-3620

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